Introdução
O nematoide das lesões radiculares Pratylenchus zeae é um dos principais fitonematoides associados a sistemas agrícolas tropicais e subtropicais, especialmente em culturas como milho, cana-de-açúcar, arroz, soja e sorgo.
Biologia e ciclo de vida
Diferentemente de nematoides sedentários, Pratylenchus zeae é classificado como um nematoide endoparasita migrador, o que significa que ele se movimenta ativamente dentro dos tecidos radiculares durante seu ciclo de vida. Tanto juvenis quanto adultos são capazes de penetrar nas raízes e alimentar-se das células do córtex radicular (MOENS; PERRY; STARR, 2022). Essa atividade provoca destruição celular e formação de lesões necróticas nas raízes, característica típica do ataque desse grupo de nematoides. O ciclo biológico pode ocorrer em aproximadamente 30 a 45 dias, dependendo das condições ambientais, permitindo múltiplas gerações durante o ciclo da cultura (ESCUDERO et al., 2020).
Distribuição e plantas
hospedeiras
Pratylenchus zeae apresenta ampla distribuição geográfica, sendo frequentemente encontrado em regiões de clima quente e solos agrícolas intensamente explorados. Essa espécie possui uma ampla gama de hospedeiros, incluindo diversas gramíneas cultivadas e espontâneas (NICOL et al., 2021). Culturas como milho, cana-de-açúcar, arroz, sorgo e algumas espécies de plantas daninhas são consideradas hospedeiras importantes para a multiplicação desse nematoide. Essa característica dificulta o manejo, pois mesmo durante períodos de entressafra o patógeno pode sobreviver e multiplicar-se em plantas voluntárias ou cobertura vegetal inadequada (CARNEIRO et al., 2022).
Sintomas e danos nas plantas
Os sintomas causados por Pratylenchus
zeae geralmente incluem redução do crescimento das plantas, clorose
foliar, diminuição do vigor e queda na produtividade (DESAEGER; WATSON;
TURECHEK, 2020). No sistema radicular, a presença do nematoide provoca lesões
escuras ou necroses, que comprometem o funcionamento das raízes e reduzem a
capacidade de absorção de nutrientes. Essas lesões também podem facilitar a
entrada de fungos e bactérias patogênicas, agravando ainda mais os danos à
planta. Em culturas como milho e cana-de-açúcar, perdas de produtividade podem
variar entre 10% e 25% em áreas infestadas, dependendo da densidade
populacional e das condições de manejo (GHAREEB et al., 2022).
Diagnóstico e monitoramento populacional
O diagnóstico de Pratylenchus zeae deve ser realizado por meio de análises nematológicas do solo e das raízes, que permitem identificar a espécie presente e estimar sua densidade populacional (CARNEIRO et al., 2022). A identificação morfológica tradicional pode ser complementada por técnicas moleculares modernas, como métodos baseados em PCR, que aumentam a precisão na distinção entre espécies do gênero Pratylenchus (ESCUDERO et al., 2020). O monitoramento regular das populações no solo é fundamental para avaliar o risco de danos econômicos e orientar decisões de manejo antes do estabelecimento das culturas.
Controle químico
O controle químico pode ser utilizado como parte de um programa integrado de manejo de Pratylenchus zeae. Nematicidas aplicados no tratamento de sementes ou diretamente no solo podem reduzir a infestação inicial e proteger o sistema radicular das plantas durante as fases iniciais de desenvolvimento (GRABAU; NOLING, 2022). Ingredientes ativos como fluopyram, abamectina e fluensulfone têm sido avaliados em diferentes culturas e demonstram potencial para reduzir as populações do nematoide (DESAEGER; WATSON; TURECHEK, 2020). Entretanto, a eficácia do controle químico depende de fatores como densidade populacional inicial, tipo de solo e condições ambientais.
Controle físico e cultural
As práticas culturais são essenciais para o manejo sustentável de Pratylenchus zeae. A rotação de culturas com espécies menos suscetíveis, associada ao uso de plantas de cobertura adequadas, pode reduzir significativamente as populações do nematoide ao longo do tempo (MOENS; PERRY; STARR, 2022). Além disso, o manejo adequado da matéria orgânica do solo e o controle de plantas daninhas hospedeiras contribuem para reduzir a multiplicação do patógeno. Sistemas agrícolas mais diversificados tendem a apresentar maior equilíbrio biológico e menor pressão de infestação por nematoides.
Controle biológico
O controle biológico tem sido amplamente estudado como alternativa sustentável no manejo de Pratylenchus zeae. Diversos microrganismos do solo apresentam capacidade de suprimir populações de nematoides por meio de parasitismo de ovos, produção de metabólitos tóxicos ou competição por recursos (SIKANDAR et al., 2021). Entre os agentes biológicos mais promissores destacam-se fungos e bactérias como Pochonia chlamydosporia, Purpureocillium lilacinum e espécies do gênero Bacillus, que têm demonstrado potencial para reduzir a reprodução de nematoides em diferentes sistemas de cultivo (TOPALOVIĆ; HEUER, 2023). O aumento da biodiversidade microbiana do solo é um fator importante para promover a supressividade natural contra fitonematoides.
Conclusão e recomendações
práticas
O nematoide das lesões radiculares Pratylenchus zeae representa um desafio significativo para sistemas agrícolas tropicais, especialmente em culturas gramíneas de grande importância econômica. Seu hábito migrador e ampla gama de hospedeiros favorecem sua persistência no solo e dificultam o manejo. Dessa forma, recomenda-se a adoção de estratégias integradas, incluindo diagnóstico nematológico, rotação de culturas, uso de plantas de cobertura adequadas, manejo da matéria orgânica do solo e aplicação estratégica de nematicidas ou agentes biológicos. O avanço das pesquisas em microbiologia do solo e manejo integrado de pragas indica que sistemas agrícolas mais diversificados e sustentáveis podem desempenhar papel fundamental na redução dos impactos causados por esse importante fitonematoide.
Tabela – Características
agronômicas de Pratylenchus zeae
|
Característica |
Descrição |
|
Nome comum |
Nematoide das lesões
radiculares |
|
Nome científico |
Pratylenchus zeae |
|
Tipo de parasitismo |
Endoparasita migrador |
|
Sintoma principal |
Lesões necróticas nas raízes |
|
Ciclo biológico |
30–45 dias |
|
Culturas afetadas |
Milho, cana-de-açúcar, arroz,
sorgo |
|
Tipo de dano |
Destruição celular e redução do
sistema radicular |
|
Manejo recomendado |
Rotação de culturas, controle
biológico e nematicidas |
Referências (formato ABNT)
CARNEIRO, R. M. D. G.; et al.
Identification and distribution of plant-parasitic nematodes in agricultural
soils. Nematology, 2022.
DESAEGER, J.; WATSON, T.;
TURECHEK, W. Nematicides and soil management strategies for plant-parasitic
nematodes. Crop Protection, 2020.
ESCUDERO, N.; et al. Advances in
molecular detection of plant-parasitic nematodes. Frontiers in Plant Science,
2020.
GHAREEB, R.; et al. Global crop
losses due to plant-parasitic nematodes. Agronomy, 2022.
GRABAU, Z.; NOLING, J. Chemical
management of plant-parasitic nematodes in field crops. Plant Disease
Management Reports, 2022.
JONES, J. T.; et al. Top 10
plant-parasitic nematodes in molecular plant pathology. Molecular Plant
Pathology, 2021.
MOENS, M.; PERRY, R. N.; STARR,
J. L. Root-Knot Nematodes. Wallingford: CABI Publishing, 2022.
NICOL, J. M.; et al. Current
nematode threats to world agriculture. Food Security, 2021.
SIKANDAR, A.; et al. Biological
control of plant-parasitic nematodes using microbial antagonists. Biological
Control, 2021.
TOPALOVIĆ, O.; HEUER, H.
Microbial suppression of plant-parasitic nematodes in soils. Soil Biology
and Biochemistry, 2023.
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