O tomateiro, Lycopersicum esculentum Mill, pertencente à família Solanaceae, que apesar de ser uma planta herbácea e perene, é cultivada quase universalmente como uma planta anual (MARANCA, 1986).
O Brasil é um dos principais produtores de tomate, com uma produção de 3,4 milhões de toneladas. O Nordeste destaca-se como a terceira região na produção de tomate, produzindo 511 mil toneladas, sendo o Estado do Maranhão o sexto estado produtor, com pouco mais de 5 mil toneladas em 247 hectares de área plantada, destacando-se os municípios de São Domingos produzindo 688 t em 35 ha, Buritirana produzindo 450 t em 18ha, Senador Laroque com a produção de 445 t em 20 h e Tumtum. Chegando a produzir 425 t em 25 ha de área planta (IBGE, 2007).
Os principais grupos de vírus que infectam o tomateiro são os geminivírus (gênero Begomovirus; família Geminiviridae) e os crinivírus (gênero Crinivirus; família Closteroviridae) ambos transmitidos por mosca-branca e os tospovírus (gênero Tospovirus; família Bunyaviridae) transmitidos por tripes. (LIMA; MICHEREFF FILHO, 2015).
Segundo Lima e Michereff Filho (2015) As tospoviroses são mais conhecidas pela denominação de “vira-cabeça”. Constituem um dos principais grupos de doenças de grande importância econômica para a cultura do tomateiro pela severidade dos sintomas que causam em cultivares suscetíveis, assim como também pelos prejuízos com redução da produção e qualidade dos frutos e ainda pelo aumento dos custos devido às medidas de controle adotadas. O nome viracabeça foi originado do sintoma típico de curvatura do ponteiro da planta, que pode ser observado em tomateiros infectados com esses vírus. A doença é causada por espécies de tospovírus cujos vetores são os tripes. Várias espécies de tripes são capazes de transmitir esses vírus de maneira eficiente.
Sintomas da Doenças
Os sintomas da doença podem variar segundo a cultivar, estádio de desenvolvimento da planta na época da infecção, espécie do vírus, além de condições ambientais (MURAI, 2000; CHAISUEKUL et al., 2003; GITAITIS, 2009.
Segundo Lima e Michereff Filho (2015) Estes consistem em bronzeamento de folhas apicais, e o desenvolvimento de inúmeras lesões necróticas pequenas de coloração marrom escura . Essas lesões coalescem resultando na formação de extensas áreas necrosadas no limbo foliar . O ápice da planta pode se curvar e se apresentar completamente necrosado, morrendo posteriormente . Observa-se ainda redução do limbo foliar e a presença de anéis cloróticos e/ou necróticos, às vezes concêntricos nas folhas. Sintomas de arroxeamento podem surgir em folhas de plantas doentes. Manchas necróticas escurecidas e de tamanho irregular surgem em pecíolos de folhas, cálice e pedúnculos de frutos e também em hastes. Plantas afetadas pela doença podem apresentar drástica redução no desenvolvimento. Quando a infecção das plantas ocorre nos estádios iniciais de desenvolvimento, os sintomas são mais severos e incluem além de manchas necróticas e/ou cloróticas em folhas, necrose e curvatura do ápice da planta e nanismo acentuado. Nesta condição, a produção é significativamente afetada podendo a planta não produzir frutos comercializáveis e, muito frequentemente, a infecção precoce pode resultar ainda em morte da planta.
Segundo Lima e Michereff Filho (2015) quando a infecção ocorre após o pegamento dos frutos, os danos resultantes podem ser menos severos. Neste caso, os frutos podem apresentar qualidade inferior devido à presença de lesões cloróticas e/ ou necróticas em frutos ainda verdes ou quando maduros comprometendo a comercialização. É possível que o desenvolvimento da doença possa ocorrer de forma assimétrica, em que severas distorções foliares estejam presentes em apenas um lado da planta. Em tomateiro, a doença pode ser causada por pelo menos quatro espécies de tospovírus (Tomato spotted wilt virus – TSWV; Groundnut ringspot virus – GRSV; Tomato chlorosis spot virus – TCSV; Chrysantemum stem necrosis virus - TSNV). Entretanto, a diferenciação entre as espécies não é possível apenas de acordo com a avaliação de sintomas presentes em plantas infectadas, considerando-se que induzem sintomas muito similares em tomateiro. Dessa forma, para sua correta identificação deve-se utilizar ferramentas moleculares e/ou sorológicas específicas.
Etiologia
A doença vira-cabeça (“spotted wilt”) foi registrada pela primeira vez afetando tomateiros na Austrália, em 1915 (BRITTLEBANK, 1919). Posteriormente, Samuel et al. (1930) demonstraram sua etiologia viral tendo sido denominado Tomato spotted wilt virus (TSWV; gênero Tospovirus; família Bunyaviridae).
Segundo Lima e Michereff filho (2015) A doença havia sido inicialmente relatada afetando tomateiros apenas em áreas produtoras de regiões de clima tropical e subtropical. Entretanto, sintomas da doença passaram a ser detectados em diversas culturas de áreas situadas no Hemisfério Norte.
Essa ocorrência foi associada à rápida disseminação da espécie de tripes Frankliniella occidentalis (Pergande), considerada como um vetor muito mais eficiente na transmissão do vírus (ULLMAN et al., 1997)
Dessa forma, surtos da doença foram registrados nos anos 1980 em diversos países do continente europeu (MARCHOUX et al., 1991; VAIRA et al., 1993), tendo sido constatado aumento no número de espécies de plantas infectadas por TSWV (GERMAN et al., 1992), única espécie desses vírus conhecida até então
Com o surgimento de novas variantes desses vírus, métodos sorológicos e métodos moleculares foram empregados no seu estudo e caracterização. Assim, tornou-se possível identificar e diferenciar taxonomicamente, as novas variantes. (LIMA; MICHEREFF FILHO, 2015).
Esses critérios foram empregados na identificação de Impatiens necrotic spot virus (INSV) e posteriormente, de Groundnut ringspot virus (GRSV), Tomato chlorotic spot virus (TCSV) e Chrysanthemum stem necrosis virus (CSNV). (LIMA; MICHEREFF FILHO, 2015).
Controle :
Segundo Lopes e Ávila (2005) estas são os seguintes metodos de controle
As medidas acima citada , não sera eficiente caso não seja empregado formas conjunta com os vizinhos em sua região . Lembrando que um manejo de produtor sozinho tem um custo alto porem com uma efetividade baixa .
- Não plantar em áreas próximas a lavouras velhas ou abandonadas de tomate, pimentão. pimenta e alface
- Evitar plantios proximo s a outras plantas hospedeiras do tripes vetor. como cebola. alho. ervilha e pimentão.
- Plantar cultivares ou híbridos resistentes , Indicados em catálogos de empresas produtora s de sementes
- Produzir as mudas em local isolado e protegido e/ou com controle químico do inseto vetor (tripes).
- Apl icar inseticida granulado somente na sementeira
- Pulverizar as mudas com inseticida na véspera do transplante para o campo.
- Pulverizar as plantas com inseticidas no campo somente nas três primeiras semanas após o transplante
- Destruir os restos de lavoura logo após a colheita.
O controle de tospovírus é difícil e fatores como o amplo círculo de plantas hospedeiras desses vírus e dos seus vetores, a diversidade de espécies de tospovírus que infectam o tomateiro e a diversidade dos tripes transmissores, além de sua ampla distribuição, tornam o manejo da doença bastante complexo no campo. (LIMA; MICHEREFF FILHO, 2015).
Na ausência de medidas curativas de controle para as viroses, a estratégia mais eficaz consiste na adoção de medidas preventivas de forma integrada e direcionadas aos vírus e tripes, visando reduzir e/ou evitar a introdução da doença na área de produção e consequentemente, o estabelecimento dessas viroses no tomateiro (DUSI, 2007; ZAMBOLIM et al., 2000; RILEY; PAPPU, 2004
Segundo Lima e Michereff filho (2015) Outras medidas também devem ser rigorosamente adotadas para que se alcance a eficiência de controle desejada com os inseticidas. Por exemplo, direcionar o jato de pulverização de baixo para cima. Como a maioria dos produtos químicos atua por contato com os tripes, é importante que a calda cubra de maneira homogênea a parte inferior da folhagem, para poder atingir o inseto. Realizar a pulverização pela manhã, entre 6:00 e 10:00 h ou à tarde a partir das 16:00 h, para evitar a rápida evaporação da água e a degradação dos produtos pela radiação solar. Usar a dosagem indicada pelo fabricante (no rótulo do produto) e a quantidade de água adequada, em geral 400-600 L/ha, com pH 5,0. Não utilizar subdosagens e sempre adicionar espalhante adesivo à calda. Evitar a aplicação de mistura de pesticidas (mistura de inseticidas ou inseticidas+fungicidas). Manter os equipamentos em boas condições de trabalho (pressão de aspersão recomendada, bicos adequados e bem regulados), para proporcionar a aplicação do produto na dosagem correta. Plantas recém-transplantadas no campo (25 dias de idade) podem ser pulverizadas com ponteira convencional ou esguicho. Já em cultivos com plantas mais desenvolvidas, quando possível, empregar equipamento que propicie a atomização da calda pulverizada para diminuir o tamanho das gotas e garantir sua melhor penetração na folhagem do tomateiro. Utilizar bicos de pulverização adequados para distribuição uniforme de gotas finas (menos de 0,05 mm de diâmetro). Uma pulverização será considerada apropriada quando forem depositadas cerca de 80 gotas/cm2 de superfície. Isto pode ser aferido pelo produtor mediante uso de papel indicador sensível a formulações aquosa e oleosa, cujas cartelas são devidamente fixadas na face inferior das folhas minutos antes da aplicação.
As medidas acima citada , não sera eficiente caso não seja empregado formas conjunta com os vizinhos em sua região . Lembrando que um manejo de produtor sozinho tem um custo alto porem com uma efetividade baixa .
Referencias Utilizadas :
BRITTLEBANK, C. C. Tomato diseases. Journal of the Department of Agriculture in Victoria, Victoria, v. 17, p. 231-235, 1919.
CHAISUEKUL, C.; RILEY, D.; PAPPU, H. Transmission of Tomato spotted wilt virus to tomato plants of different ages. Journal of Entomological Science, Tifton, v. 38, p. 126 –135, 2003.
DUSI, A. N. Manejo integrado de viroses em hortaliças. In: ZAMBOLIM, L.; LOPES, C. A.; PICANÇO, M. C.; COSTA, H. (Ed.). Manejo Integrado de doenças e pragas: hortaliças. Viçosa: UFV, 2007. Cap. 5, p. 163- 187.
GERMAN, T. L.; ULLMAN, D. E.; MOYER, W. M. Tospoviruses: diagnosis, molecular biology, phylogeny and vector relationships. Annual Review of Phytopathology, v. 30, p.315–348. 1992.
GITAITIS, R. Tospoviruses in Georgia vegetables. In: MULLIS, S. W. Tospoviruses in Solanaceae and other crops in the coastal plain of Georgia: bulletin 1354. Tifton: University of Georgia’s College of Agricultural and Environmental Sciences, 2009. p. 24 –27,
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. SIDRA. Tomate. Produtividade de 2007. Disponível em: Acesso em: 12 agosto 2008.
LIMA, Mirtes Freitas; MICHEREFF FILHO, Miguel. Vira-cabeça do Tomateiro: Sintomas, Epidemiologia, Transmissão e Medidas de Manejo. 2015. Disponível em: https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/131429/1/COT-110.pdf. Acesso em: 03 maio 2023.
LOPES, Carlos Alberto; ÁVILA, Antônio Carlos de. Doenças do tomateiro. 2005. Disponível em: https://www.bibliotecaagptea.org.br/agricultura/defesa/livros/DOENCAS%20DO%20TOMATEIRO.pdf. Acesso em: 03 maio 2023.
MARANCA, G. Tomate: variedades, cultivo, pragas, doenças e comercialização. 3. ed. São Paulo: Nobel, 1986.
MARCHOUX, G.; GEBRE-SELASSIE, K.; VILLEVIEILLE, M. Detection of tomato spotted wilt virus and transmission by Frankliniella occidentalis in France. Plant Pathology, Oxford, v. 40, n. 3, p. 347- 351, Sept. 1991.
MURAI, T. Effect of temperature on development and reproduction of the onion thrips, Thrips tabaci Lindeman (Thysanoptera: Thripidae), on pollen and honey solution. Applied Entomology and Zoology, Tokyo, v. 35, n. 4, p. 499 –504, 2000.
RILEY, D. G.; PAPPU, H. R. Tactics for management of thrips (Thysanoptera: Thripidae) and tomato spotted wilt tospovirus in tomato. Journal of Economic Entomology, Lanham, v. 97, n. 5, p. 1648-1658, Sept. 2004.
SAMUEL, G.; BALD, J. G.; PITTMAN, H. A. “Investigations on ‘spotted wilt’ of tomatoes.” Australian Council of Science and Industrial Research Bulletin, v. 44, 1930. 64 p.
ZAMBOLIM, L.; VALE, F. X. R.; COSTA, H. (Ed.). Controle de doenças de plantas: hortaliças. Viçosa, 2000. 878 p. v. 2.
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