terça-feira, 19 de maio de 2026

Como escolher o produto nematicida para o manejo de nematoides?


Os nematoides fitoparasitas representam um dos maiores desafios fitossanitários da agricultura moderna devido à ampla distribuição geográfica, capacidade de sobrevivência no solo e elevada agressividade sobre culturas de importância econômica.

Espécies como Meloidogyne incognita, Meloidogyne enterolobii, Pratylenchus brachyurus, Heterodera glycines e Rotylenchulus reniformis estão associadas a perdas expressivas em produtividade e qualidade agrícola. Estimativas recentes indicam prejuízos globais superiores a US$ 157 bilhões anuais causados por nematoides agrícolas.

Nos últimos anos, o mercado de nematicidas passou por importantes transformações. A redução do uso de fumigantes altamente tóxicos, o crescimento dos biológicos e o desenvolvimento de moléculas mais seletivas ampliaram significativamente as opções disponíveis aos produtores. Entretanto, esse avanço também tornou mais complexa a escolha do produto adequado para cada situação agrícola.

As pesquisas publicadas entre 2020 e 2026 mostram que a eficiência de um nematicida depende não apenas do ingrediente ativo, mas também da espécie de nematoide presente, da cultura implantada, das condições de solo, do posicionamento da aplicação e da integração com outras práticas de manejo.

Dessa forma, escolher corretamente o nematicida exige conhecimento técnico sobre biologia do patógeno, modo de ação do produto, histórico da área e objetivos do manejo. O uso inadequado pode gerar baixo controle, desperdício econômico e desequilíbrio biológico do solo.

1. Identificação da espécie de nematoide

A primeira etapa para selecionar um nematicida eficiente é identificar corretamente qual espécie está presente na área agrícola. Diferentes espécies apresentam comportamento biológico distinto e respondem de maneira variável aos produtos disponíveis.

Por exemplo, produtos eficientes contra Meloidogyne incognita podem apresentar desempenho inferior sobre Pratylenchus brachyurus ou Heterodera glycines. Isso ocorre porque cada grupo possui hábitos alimentares, mobilidade e estratégias de sobrevivência diferentes.

As análises nematológicas de solo e raízes permitem identificar densidade populacional, espécies predominantes e risco potencial de dano econômico. Pesquisas recentes demonstram que áreas manejadas com base em diagnóstico prévio apresentam maior eficiência de controle e melhor retorno econômico.

Outro ponto importante é considerar a agressividade da espécie. Meloidogyne enterolobii, por exemplo, possui ampla gama de hospedeiros e elevada capacidade reprodutiva, exigindo estratégias mais intensivas de manejo.

2. Escolha conforme o mecanismo de ação do produto

Os nematicidas modernos apresentam diferentes modos de ação. Alguns atuam sobre sistema nervoso, outros interferem no metabolismo energético, mobilidade, alimentação ou reprodução dos nematoides.

Produtos à base de fluensulfone e fluazaindolizine, por exemplo, apresentam ação importante sobre movimentação e desenvolvimento dos juvenis, enquanto moléculas como fluopyram interferem no metabolismo mitocondrial do patógeno.

Já os nematicidas biológicos atuam principalmente por antibiose, produção de metabólitos tóxicos, parasitismo de ovos ou indução de resistência sistêmica nas plantas. Fungos como Purpureocillium lilacinum e bactérias do gênero Bacillus vêm apresentando resultados promissores em sistemas integrados.

As pesquisas recentes reforçam que produtos com mecanismos distintos podem ser utilizados de forma complementar para aumentar estabilidade do controle e reduzir pressão de seleção sobre as populações de nematoides.

Outro aspecto importante é avaliar persistência e mobilidade do produto no solo. Solos arenosos, por exemplo, podem favorecer lixiviação de algumas moléculas, reduzindo período de proteção radicular.

3. Considerar cultura agrícola e sistema de produção

A escolha do nematicida deve considerar a cultura implantada e o sistema produtivo utilizado. Culturas anuais, hortaliças, frutíferas e perenes apresentam necessidades distintas quanto ao posicionamento e persistência do controle.

Na soja e milho, o tratamento de sementes associado a aplicações em sulco tem sido amplamente estudado contra Pratylenchus brachyurus e Meloidogyne spp. Em hortaliças de alto valor agregado, aplicações via gotejamento e integração com biológicos mostram resultados mais consistentes.

Sistemas intensivos de cultivo protegido normalmente exigem estratégias mais robustas devido à rápida multiplicação populacional dos nematoides. Nessas situações, programas integrados com solarização, biológicos e químicos seletivos tendem a apresentar melhor desempenho.

Também é necessário considerar o ciclo da cultura. Produtos de ação rápida podem ser mais indicados para culturas de ciclo curto, enquanto sistemas perenes frequentemente demandam controle prolongado e manejo contínuo da rizosfera.

4. Avaliação das condições de solo e ambiente

As condições físicas, químicas e biológicas do solo influenciam diretamente a eficiência dos nematicidas. Temperatura, umidade, textura e teor de matéria orgânica podem alterar persistência, mobilidade e atividade biológica dos produtos.

Em solos muito arenosos, alguns produtos apresentam menor residual devido à maior movimentação vertical. Já em solos argilosos, moléculas podem ficar adsorvidas às partículas, reduzindo disponibilidade na solução do solo.

Os biológicos também sofrem forte influência ambiental. Fungos e bactérias antagonistas normalmente apresentam melhor desempenho em solos com boa matéria orgânica, umidade equilibrada e elevada atividade microbiológica.

Pesquisas recentes mostram que áreas manejadas com cobertura vegetal e práticas conservacionistas apresentam maior estabilidade de controle quando associadas ao uso de biológicos.

Outro aspecto relevante é o histórico da área. Ambientes com uso contínuo de culturas suscetíveis frequentemente apresentam populações elevadas e maior necessidade de integração entre diferentes ferramentas de manejo.

5. Integração entre custo, eficiência e sustentabilidade

A escolha do nematicida não deve considerar apenas o custo do produto, mas sim o retorno econômico do sistema de manejo. Em muitos casos, produtos aparentemente mais caros proporcionam maior eficiência, melhor desenvolvimento radicular e maior estabilidade produtiva.

Pesquisas recentes mostram que aplicações preventivas normalmente apresentam melhor relação custo-benefício do que intervenções tardias em áreas severamente infestadas. Isso ocorre porque o dano radicular inicial muitas vezes é irreversível.

Outro ponto importante é avaliar seletividade ambiental. Moléculas modernas e biológicos tendem a causar menor impacto sobre microbiota benéfica do solo em comparação aos fumigantes tradicionais.

As pesquisas atuais reforçam que os melhores resultados econômicos normalmente são obtidos por meio do manejo integrado, combinando químicos, biológicos, rotação de culturas, cultivares resistentes e manejo cultural adequado.

Tabela-resumo para escolha do nematicida

Critério de escolhaAspectos avaliadosImpacto na eficiência
Espécie de nematoidegênero e densidade populacionaldetermina sensibilidade ao produto
Modo de açãoquímico ou biológicoinfluencia persistência e controle
Cultura agrícolaanual, perene ou hortaliçadefine posicionamento da aplicação
Tipo de solotextura e matéria orgânicaaltera mobilidade e residual
Sistema produtivoconvencional ou integradoinfluencia estabilidade do manejo
Custo-benefícioprodutividade e retorno econômicodefine viabilidade prática

As pesquisas entre 2020 e 2026 demonstram que a escolha correta do nematicida depende de múltiplos fatores agronômicos, biológicos e econômicos. Não existe um produto universalmente eficiente para todas as espécies, culturas e ambientes agrícolas.

O diagnóstico nematológico continua sendo a ferramenta mais importante para tomada de decisão. A identificação correta da espécie presente permite selecionar moléculas e estratégias mais adequadas para cada situação.

Outro aspecto relevante é que os melhores resultados atuais são obtidos em sistemas integrados, nos quais químicos e biológicos atuam de forma complementar com práticas culturais e manejo conservacionista do solo.

Além da eficiência imediata, a escolha do produto deve considerar sustentabilidade do sistema produtivo, preservação da microbiota do solo e redução da pressão de seleção sobre os nematoides.

A principal recomendação é realizar análises periódicas de solo e raízes antes da implantação das culturas. O diagnóstico correto aumenta significativamente a eficiência do manejo.

Também é importante priorizar aplicações preventivas, principalmente em tratamento de sementes e sulco de plantio, reduzindo infecção inicial do sistema radicular.

Outra recomendação é integrar produtos químicos e biológicos, associando-os à rotação de culturas, cobertura vegetal e manejo adequado da matéria orgânica.

Por fim, produtores e técnicos devem avaliar não apenas custo imediato do produto, mas também retorno econômico, estabilidade produtiva e sustentabilidade do sistema agrícola em longo prazo.

Referências

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