Introdução
Os nematoides fitoparasitas continuam entre os agentes bióticos mais caros para a agricultura porque atacam um alvo invisível e, muitas vezes, são percebidos apenas quando o prejuízo já está instalado.
Nesse cenário, a seleção de cultivares resistentes não é apenas uma opção de manejo, mas o ponto de partida para programas genéticos duráveis. Revisões recentes mostram que a resistência genética é eficaz e sustentável, porém pode perder desempenho sob temperaturas elevadas ou diante de populações virulentas, o que obriga o melhoramento a buscar fontes novas, combinadas e regionalmente validadas. (ScienceDirect)
A seleção não pode ser genérica porque os principais grupos de nematoides têm biologias muito diferentes. Em termos práticos, a resposta de uma cultivar a nematoides-das-galhas, nematoides-dos-cistos, nematoides-das-lesões radiculares, reniformes e ectoparasitas vetores exige critérios diferentes de fenotipagem, diferentes fontes de resistência e, muitas vezes, diferentes estratégias de validação. (MDPI)
1. O que realmente significa selecionar uma cultivar resistente
Na seleção para nematoides, resistência e tolerância não são sinônimos. Em trigo, um estudo de 2025 mostrou que o método de semeadura em baixa densidade permite selecionar plantas individuais para tolerância e resistência a Pratylenchus thornei, demonstrando que os dois caracteres são independentes e precisam ser avaliados separadamente. O mesmo trabalho mostrou que a resistência pode ser mensurada pelo número final de nematoides em solo e raízes, enquanto a tolerância é melhor capturada pelo rendimento por planta. (MDPI)
Isso muda o melhoramento na prática. Uma cultivar pode reduzir bem a multiplicação do nematoide e, ainda assim, perder produtividade em ambiente de alta pressão; outra pode manter rendimento, mas permitir reprodução elevada do parasita. Para o agricultor, isso significa que a “melhor cultivar” precisa ser escolhida não só pela aparência da planta, mas pelo equilíbrio entre produção, redução do inóculo e adaptação ao ambiente. (MDPI)
Em feijão-comum, a seleção ficou mais objetiva quando se combinou fenotipagem de estufa com genotipagem. Um estudo de 2025 cruzou genótipos contrastantes para resistência a Meloidogyne incognita e obteve um mapa com 954 SNPs, quatro QTLs principais e correlação de 0,72 entre valores observados e preditos por seleção assistida por marcadores. Esse tipo de resultado mostra por que a seleção moderna depende de fenótipo robusto e marcador confiável ao mesmo tempo.
Ainda em feijão, a mesma lógica apareceu quando a resistência a M. incognita foi estudada em ‘Ouro Negro’: a herdabilidade em sentido amplo foi de 0,62 para índice de galhas e 0,54 para massas de ovos, e o mínimo de genes envolvidos foi estimado em dois ou três. Em termos práticos, isso sugere que a resistência pode ser trabalhada no melhoramento, mas requer seleção cuidadosa e não apenas uma triagem visual simples. (MDPI)
2. Como a biologia do nematoide altera a escolha da cultivar
Entre os grupos mais críticos para a seleção de cultivares, os nematoides-das-galhas (Meloidogyne spp.) são os mais amplos em hospedeiros e os mais agressivos em ambientes quentes. Uma revisão recente sobre tomate e outras solanáceas relata perdas de 25–100% em cultivos afetados, enquanto o screening de 11 cultivares de berinjela contra M. javanica encontrou quatro resistentes e uma altamente resistente, o que confirma que há material útil, mas a resposta é altamente dependente do genótipo. (MDPI)
Para o melhoramento, isso significa que a fonte de resistência precisa ser testada contra a espécie correta e, quando possível, contra a população local do nematoide. Em hortaliças, o uso de cultivares resistentes e de porta-enxertos resistentes ganha importância porque o nematoide pode reduzir a produtividade e a formação de mudas, e o uso de químicos isolados já não é considerado solução suficiente. (MDPI)
Nos nematoides-dos-cistos, a lógica é outra: o grupo é menos polífago que Meloidogyne, mas a importância estratégica é enorme em soja e batata. Na soja, o panorama atual mostra forte dependência de poucas fontes de resistência; em um estudo de 2025, mais de 95% das cultivares comerciais resistentes nos EUA derivavam de PI 88788, e a pressão de seleção favoreceu a evolução de populações virulentas. (Frontiers)
Isso explica por que o mercado vem tentando diversificar fontes. Em Iowa, a lista de 2025 passou a incluir 200 variedades com resistência de Peking, mais de duas vezes o número disponível no ano anterior, e algumas variedades Peking podem superar PI 88788 em até 20 bushels por acre em campos com alta reprodução do SCN. Essa expansão é importante porque a resistência baseada em uma única fonte tende a se desgastar com o uso repetido. (Integrated Crop Management)
Nos nematoides-das-lesões radiculares (Pratylenchus spp.), a seleção precisa considerar tanto resistência quanto tolerância, sobretudo em cereais. Em 2025, a atualização para o sudoeste da Austrália mostrou que 11 das ~90 espécies descritas já estão presentes no país, que todas as áreas amostradas estavam infestadas e que esses nematoides custam à agricultura extensiva cerca de AUD 250 milhões por ano. (Portal de Pesquisa Murdoch)
O mesmo trabalho reforça que o diagnóstico molecular se tornou indispensável, porque espécies diferentes podem coexistir no mesmo sistema e responder de forma distinta às cultivares. Para o melhoramento, isso significa que a seleção para Pratylenchus deve ser regional, com validação em campo e, idealmente, com apoio de marcadores ou índices de vegetação. (Portal de Pesquisa Murdoch)
Nos nematoides-dos-cistos da batata (PCN), a seleção de cultivares resistentes é uma estratégia ainda mais urgente. A revisão de 2024 sobre África concluiu que existem cultivares já adotadas por agricultores com resistência a Globodera e recomendou usá-las imediatamente como medida de controle, enquanto novas cultivares são desenvolvidas. O artigo também destaca os genes H1 para G. rostochiensis e combinações como Gpa IV e Gpa5 para G. pallida. (Springer Link)
Essa recomendação faz sentido porque os cistos podem sobreviver no solo por 20 a 30 anos, o que transforma a escolha da cultivar em uma decisão de longo prazo. Em PCN, cultivar resistente não é apenas uma opção produtiva; é uma forma de reduzir o banco de inóculo para várias safras futuras. (Springer Link)
3. Onde estão as melhores fontes de resistência genética
A busca por fontes resistentes continua começando em germoplasma diverso, linhagens elite e, principalmente, parentes silvestres. Na soja, por exemplo, o programa mais recente conseguiu avançar com linhagens de tipo Peking carregando os alelos rhg1 e Rhg4, mostrando que a diversificação da base genética já está em curso. (Frontiers)
Em batata, a revisão de PCN na África mostra que muitas das resistências úteis vieram de cultivares originalmente derivadas da Europa, e que o melhoramento moderno ainda depende de identificar quais materiais já usados pelos agricultores carregam resistência funcional. O texto também defende o uso de marcadores moleculares, inoculação em casa de vegetação e cruzamentos com germoplasma exótico para ampliar a base genética futura. (Springer Link)
Em feijão-comum, a busca por resistência a M. incognita já produz ferramentas práticas: um modelo de seleção assistida por marcadores foi desenvolvido em 2025 com uma população de 333 F2 e 200 famílias F2:3, permitindo calcular valores genotípicos com boa precisão. Em paralelo, estudos de resistência em ‘Ouro Negro’ mostraram que a arquitetura genética envolve poucos genes principais, o que torna a introgressão viável.
Em hortaliças, as fontes também aparecem em acessos específicos. No screening de berinjela contra M. javanica, quatro cultivares foram resistentes e uma altamente resistente, o que é muito relevante porque essas linhagens podem funcionar como porta-enxertos para tomate e outras solanáceas. Esse tipo de uso é prático para áreas de alto valor e forte pressão de RKN. (pps.agriculturejournals.cz)
4. Como selecionar melhor: fenótipo, marcador e ambiente
A seleção eficiente começa com um diagnóstico correto da espécie e da população. Em soja, o levantamento da Dakota do Norte registrou amostras positivas em 25 condados, com densidades de 80 a 26.700 ovos e juvenis por 100 cm³ de solo; no Canadá, o primeiro relato em Manitoba detectou quatro campos positivos com 0,95 a 3,9 ovos por 100 g de solo. Esses dados mostram que a presença do nematoide e a intensidade da infestação variam muito dentro do território, então a cultivar precisa ser escolhida para o cenário local. (APS Journals)
Para Meloidogyne, a seleção precisa medir índice de galhas, massa de ovos e fator de reprodução. Em common bean, o modelo de 2025 usou exatamente esse tipo de fenotipagem para gerar QTLs e predizer valores genéticos; em berinjela, o ensaio de 2025 classificou os cultivares com base em RF; e, em tomate, a abordagem com porta-enxerto resistente combinou avaliação morfológica, molecular e biológica.
Quando o alvo é Pratylenchus, a validação em campo ganha mais importância. A seleção em baixa densidade em trigo mostrou que a tolerância pode ser estimada por rendimento por planta e resistência pela densidade final do nematoide em solo e raízes, o que ajuda a separar materiais apenas “bonitos” dos que realmente funcionam sob pressão. (MDPI)
Tabela-resumo de seleção por grupo de nematoides
| Grupo de nematoide | O que observar na cultivar | Fonte recente útil | Implicação prática |
|---|---|---|---|
| Meloidogyne spp. | Índice de galhas, massa de ovos, RF, rendimento | Berinjela com 4 resistentes e 1 altamente resistente a M. javanica; modelagem em feijão | Seleção precisa ser por espécie/população e pode envolver porta-enxertos (pps.agriculturejournals.cz) |
| Heterodera glycines | Raça/HG type, reprodução em fontes distintas | >95% das variedades comerciais resistentes nos EUA vêm de PI 88788; 200 variedades Peking em Iowa | Diversificar a fonte de resistência é essencial para evitar quebra (Frontiers) |
| Pratylenchus spp. | Tolerância + resistência, densidade final no solo | ULD em trigo para selecionar ambos os caracteres | A cultivar precisa manter rendimento e reduzir população ao mesmo tempo (MDPI) |
| Globodera spp. | Resistência ao cisto, estabilidade em campo, durabilidade | H1, Gpa IV e Gpa5; cultivares já adotadas por agricultores | Resistente precisa ser também durável e adaptada ao sistema local (Springer Link) |
| Sistemas hortícolas | Compatibilidade de enxertia e resistência do porta-enxerto | Tomate sobre brinjal resistente com biocontrole | Útil quando a cultivar comercial não tem resistência suficiente (MDPI) |
5. Durabilidade da resistência e manejo da pressão de seleção
O maior erro em seleção de cultivares resistentes é tratar a resistência como algo fixo e eterno. Revisões recentes deixam claro que altas temperaturas e populações virulentas reduzem a eficiência de vários genes de resistência, o que já foi observado em sistemas de tomate, soja, batata e arroz. (ScienceDirect)
No caso da soja, a própria história do PI 88788 é um alerta: a fonte foi extremamente útil, mas o uso contínuo selecionou populações de SCN capazes de reproduzir melhor nessa resistência. A resposta mais consistente hoje é alternar fontes, incluindo Peking e outras linhagens, em vez de manter uma única base genética por muitos anos. (Frontiers)
Em PCN, a durabilidade também depende de não repetir sempre os mesmos genes. A revisão africana mostra que algumas fontes de resistência foram quebradas por populações diversas, enquanto combinações como Gpa IV + Gpa5 apresentaram desempenho mais promissor. Isso reforça a necessidade de piramidação e de seleção em ambientes representativos. (Springer Link)
Para o melhoramento de feijão, a presença de poucos genes principais e de QTLs com boa predição é uma vantagem, mas o uso do mesmo material em áreas repetidas pode alterar a pressão seletiva sobre o nematoide. A lição prática é que resistência genética só se mantém útil quando o sistema de cultivo também é diversificado.
6. Como transformar seleção em recomendação para o produtor
Em hortaliças de alto valor, a integração entre cultivar resistente, porta-enxerto resistente e biocontrole está se mostrando uma rota pragmática. O estudo com tomate enxertado sobre berinjela resistente mostrou que a combinação de enxertia e agentes biológicos pode ser usada como estratégia de manejo integrado, especialmente quando se busca reduzir a dependência de nematicidas. (MDPI)
Em batata, a prioridade em áreas com PCN é usar cultivares já identificadas como resistentes e adaptadas ao uso local. A revisão de 2024 enfatiza que materiais já adotados por agricultores são os mais rápidos de implementar, porque combinam resistência e adaptação agronômica, evitando o atraso de esperar novos lançamentos. (Springer Link)
Em soja, a recomendação prática é comparar o histórico de SCN da área com a fonte de resistência da cultivar. Onde a população já mostra adaptação a PI 88788, materiais com Peking ou combinações de fontes tendem a ser mais seguros, e o catálogo crescente de cultivares Peking é uma boa notícia para o produtor. (Frontiers)
Em cereais, especialmente para Pratylenchus, o ideal é selecionar materiais que unam tolerância e resistência. A técnica de baixa densidade mostrou que isso pode ser feito ainda em gerações iniciais, economizando tempo no programa de melhoramento e facilitando a escolha de linhagens promissoras antes da multiplicação em larga escala. (MDPI)
Conclusões
A seleção de cultivares resistentes é o eixo mais sólido do manejo genético de nematoides porque atua diretamente na relação hospedeiro–parasita. Os dados recentes mostram que o desafio não é apenas encontrar resistência, mas encontrar resistência certa para o nematoide certo, no ambiente certo e com durabilidade suficiente para o uso contínuo. (ScienceDirect)
Para pesquisadores e melhoristas, a mensagem é clara: usar fenotipagem rigorosa, marcadores, QTLs e validação regional; para produtores, a decisão prática é escolher cultivares com resistência comprovada para a espécie dominante da área, evitar repetir uma única fonte por muitos ciclos e, quando possível, integrar resistência com rotação, enxertia e sanidade do sistema.
Referências
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